Seguro 12 de fevereiro de 2019

Enchentes nas grandes cidades: Saiba como agir nesse caso com seu seguro

Com fortes incidentes, consumidores buscam informações sobre suas apólices.

 

Chuvas fortes, como as que atingiram diversas cidades de São Paulo nesta madrugada, podem deixar um rastro grande de destruição e prejuízos, em especial nesta época do ano. Ruas e avenidas bloqueadas, casas e veículos destruídos e estabelecimentos comerciais alagados são alguns dos registros recorrentes.

 

Para quem tem seguro para o veículo ou a casa, esse tipo de ocorrência tem cobertura garantida?

Tudo depende do contrato de seguro, ou seja, daquilo que a pessoa decidiu incluir ao contratar a apólice para seu carro ou sua casa. Por isso, é preciso prestar atenção aos detalhes das cláusulas e ponderar se vale pagar um valor mais alto para ter mais garantias. “O seguro pode cobrir todos os tipos de danos, desde que tenha uma cobertura ampla, e não apenas a básica”, disse José Varanda, coordenador da Escola Nacional de Seguros. “Também é importante que a pessoa evite atitudes que podem render a perda da cobertura depois, como ligar o motor do carro em um alagamento ou deixar as janelas da casa abertas.”

Carros: cobertura básica ou completa?

Para os carros, a cobertura mais básica normalmente inclui apenas danos relativos a incêndio e roubo. É possível incluir outros tipos de eventos a serem cobertos pela seguradora, como enchentes e batidas. Em contrapartida, os prêmios (a anuidade paga à seguradora) também sobem de acordo com o risco de esses eventos acontecerem e o valor do veículo. Como, porém, as vantagens e a procura pela cobertura restrita são pequenas, muitas seguradoras já partem de pacotes que, no plano básico, incluem outros eventos como as colisões e enchentes, geralmente oferecidas juntas.

Danos causados por enchentes, inundações, queda de barreiras, de muros e de árvores são alguns dos acontecimentos que passam a ser obrigatórios nos contratos que contemplam enchentes, independentemente das situações ou locais em que aconteceram. Em todos os casos, os clientes têm direito tanto ao conserto quanto a receber o valor do veículo em caso de perda total. Segundo Varanda, é a opção mais comum e também a mais indicada. “A cobertura restrita costuma girar em torno de 65% do valor da compreensiva [completa], mas é muito cara para cobrir apenas incêndio e roubo. Não cobre nem batida”, disse ele.

Cuidado ao tentar fugir da enchente

Mesmo tendo direito à cobertura do seguro, o proprietário pode perder o benefício no caso de mau uso, segundo Varanda. Nas situações de enchente, é o que pode acontecer caso o motorista avance sobre a área alagada na tentativa de escapar. “A indicação é desligar o motor e não forçar o carro”, disse o especialista. “Os danos com o motor ligado [em contato com a água] podem ser piores e, se uma perícia da seguradora indicar que isso agravou a condição do veículo, ela pode negar a cobertura.” No caso do seguro residencial, a empresa também pode negar o reparo, mesmo se previsto na cobertura, caso fique provado que os danos de um alagamento ao imóvel, como em pisos, eletrodomésticos e móveis, tenham sido piorados porque o morador deixou janelas ou portas abertas.

 

Casa: seguros mais baratos

O seguro residencial também parte de uma cobertura mínima e vai sendo ampliado se o cliente quiser incluir outros tipos de imprevistos na apólice. Para condomínios e estabelecimentos comerciais, as regras, em geral, são as mesmas. “Há a cobertura para alagamentos, mas é um adicional que deve ser contratado pelo segurado. Os contratos básicos cobrem incêndio, raio e explosão”, disse a superintendente executiva de Seguros Gerais da Mapfre, Patricia Siequeroli. Danos elétricos e roubos são outros exemplos que podem ser incluídos à parte, com aumento proporcional na cobrança.

A boa notícia é que eles são bem mais baratos, já que os incidentes em casa são menos frequentes do que nos veículos. Segundo Patricia, enquanto o prêmio dos seguros de automóveis gira em torno de 4% do valor do bem, nos residenciais fica próximo de 0,1%, algo como R$ 300 ao ano para um patrimônio total segurado de R$ 300 mil. “Uma pessoa que pague R$ 250 [por ano] pelo seguro básico pode ter acrescido cerca de R$ 100 para adicionar a cobertura de enchente ou outras”, disse ela. O preço final depende, principalmente, do valor que o cliente opte por segurar –se ele escolhe acrescentar uma cobertura para enchentes no valor de R$ 30 mil à sua apólice, é esse o valor máximo que terá direito a receber caso uma enchente venha, de fato, a acontecer. O valor é recebido em dinheiro e pode ser usado para reparar o imóvel ou repor móveis perdidos, por exemplo.

“Inundação”, “alagamento” e “vendaval”

José Varanda, da Escola Nacional de Seguros, menciona que, nos seguros residenciais, é importante o cliente prestar atenção ao contrato, já que há nomes parecidos para eventos que, na hora da indenização, são diferentes. Cobertura de “inundação”, diz ele, repara danos relativos apenas a transbordamento de rios, enquanto a cobertura de “alagamentos” garante também a indenização por outros tipos de enchentes, como as causadas por tempestades. Outra variação possível, os “vendavais”, indeniza apenas eventos como descolamento de telhas e queda de árvores.

“É importante tirar todas essas dúvidas com o corretor na hora da contratação”, disse.

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